<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7957443812047761772</id><updated>2009-11-10T17:45:57.086Z</updated><title type='text'>filosofia</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://filosofia-fotografia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7957443812047761772/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofia-fotografia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>magal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13740918682114687100</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7957443812047761772.post-604828917295445473</id><published>2007-07-29T15:30:00.000+01:00</published><updated>2007-07-30T15:40:36.570+01:00</updated><title type='text'>Punctum</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#999999;"&gt;Roland Barthes, no seu livro a &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Câmara Clara&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, diz-nos que as fotos que são verdadeiramente fotos para si, possuem dois elementos estruturais. 1) algo nelas desperta um interesse geral, «um afecto médio». A este elemento Barthes chama &lt;em&gt;studium&lt;/em&gt;, palavra latina cujo significado imediato é estudo, gosto por alguém, «uma espécie de investimento geral». 2) este &lt;em&gt;studium&lt;/em&gt; é quebrado por algo que salta da fotografia como uma flecha e o trespassa. É o &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; da foto, palavra que remete para picada mas também para pontuação e marca. «O &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; de uma fotografia é esse acaso que nela me fere (mas também me mortifica, me apunhala)». O acaso tem uma importância decisiva na visão de Barthes da fotografia, desvalorizando, por isso, as fotos encenadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo esta maneira de ver a fotografia, uma foto pode ser totalmente inerte, despertar um interesse geral sem &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt;, ou atingir profundamente o espectador. Investidas de &lt;em&gt;studium&lt;/em&gt; mas sem &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; as fotos agradam ou desagradam sem tocar de forma especial. Estamos no âmbito do &lt;em&gt;gosto/não gosto&lt;/em&gt;, «duma espécie de interesse vago».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A uma foto cujo &lt;em&gt;studium&lt;/em&gt; não é trespassado pelo &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; chama Barthes fotografia unária. «A fotografia é unária quando transforma enfaticamente a «realidade» sem a desdobrar, sem a fazer vacilar (…). A Fotografia unária tem tudo para ser banal, sendo a «unidade» da composição a primeira regra da retórica vulgar (…)»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barthes distingue &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; de «choque». Uma foto pode ser chocante e não perturbar. Pode gritar e não ferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barthes dá dois exemplos destas fotos unárias, que despertam um certo interesse sem no entanto o atingirem profundamente: as fotos de reportagem em geral e as fotos pornográficas. «As fotos de reportagem são recebidas, é tudo. Folheio-as mas não as rememoro; nelas, nunca um pormenor (em tal canto) vem interromper a minha leitura». A foto pornográfica é «como uma vitrina que, iluminada, só mostrasse uma única jóia, ela é inteiramente constituída pela apresentação de uma única coisa, o sexo: nunca há um segundo objectivo, intempestivo, que venha semiesconder, adiar ou distrair».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; pode ser um pormenor. «Nesse espaço habitualmente unário, por vezes (mas infelizmente, raras vezes) um «pormenor» chama a atenção. Sinto que a sua presença por si só modifica a minha leitura, que é uma nova foto que contemplo, marcada, aos meus olhos, por um valor superior. Este «pormenor» é o &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; (aquilo que me fere)». Mas o &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; não tem necessariamente de ser um pormenor pode ser uma situação de coopresença de dois elementos descontínuos ou algo difícil de detectar (está lá mas difícil de precisar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; pormenor é uma espécie de «imobilidade viva: ligada a um pormenor (a um detonador), uma explosão produz uma estrelinha na trama (…) da foto». Barthes dá como exemplo deste &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; pormenor uma foto de Lewis H. Hime: &lt;em&gt;Débeis numa instituição&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqypeCx8RAI/AAAAAAAAAMo/a-gzy44JZh8/s1600-h/punctum002.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5092631612256699394" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqypeCx8RAI/AAAAAAAAAMo/a-gzy44JZh8/s400/punctum002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#999999;"&gt;Lewis H. Hime&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#999999;"&gt;Nesta foto «não vejo de todo as cabeças monstruosas e os horríveis perfis (isso faz parte do studium); o que vejo é o pormenor descentrado, a enorme gola Danton do rapaz, a ligadura no dedo da rapariga».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; pormenor pode estar em estado latente, não se tornar imediatamente evidente e manifestar-se muito depois, mesmo quando não temos já a foto à nossa frente. Como exemplo dá a foto &lt;em&gt;Retrato de Família&lt;/em&gt; de James Van der Zee.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#999999;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqypDCx8Q_I/AAAAAAAAAMg/YsdItc3Pwns/s1600-h/punctum005.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5092631148400231410" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqypDCx8Q_I/AAAAAAAAAMg/YsdItc3Pwns/s400/punctum005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;James van der Zee&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#999999;"&gt;Numa primeira aproximação o &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; pareceu a Barthes estar na cintura da rapariga e nos seus braços cruzados atrás das costas «mas, diz ele, a foto trabalhou dentro de mim, e, mais tarde, compreendi que o verdadeiro &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; era o colar que ela trazia rente ao pescoço: porque (…) era esse mesmo colar (fino cordão de ouro torcido) que eu sempre vira usado por uma pessoa da minha família e que, uma vez desaparecida essa pessoa, ficou fechado numa caixa familiar de velhas jóias». É este pormenor que se ligou à morte que se tornou &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt;. Não é por acaso que a morte pode ter importância no &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt;, na segunda parte do livro Barthes vai analisar a questão da essência da fotografia no plano do tempo e da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barthes dá como exemplo de punctum enquanto coopresença de dois elementos descontínuos a foto de Wessing: &lt;em&gt;Nicarágua, o exército patrulhando as ruas&lt;/em&gt;. Os dois elementos descontínuos são as freiras e os soldados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqypqSx8RBI/AAAAAAAAAMw/0vwAEGPZBP0/s1600-h/punctum001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5092631822710096914" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqypqSx8RBI/AAAAAAAAAMw/0vwAEGPZBP0/s400/punctum001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#999999;"&gt;Wessing&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#999999;"&gt;Como &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; indetectável Barthes refere a foto de Mapplethorpe &lt;em&gt;Phil Glass e Bob Wilson&lt;/em&gt;. «Bob Wilson capta a minha atenção, sem que eu saiba explicar porquê, ou seja, sem que eu saiba em quê: será o olhar, a pele, a posição das mãos, os sapatos de ténis?»&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;color:#999999;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqyqGCx8RCI/AAAAAAAAAM4/NkNrHsl1phw/s1600-h/punctum004.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5092632299451466786" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqyqGCx8RCI/AAAAAAAAAM4/NkNrHsl1phw/s400/punctum004.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mapplethorpe&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; não se deve confundir com o extravagante. Na foto de Nadar &lt;em&gt;Savorgnan de Brazza&lt;/em&gt;, o elemento extravagante para Barthes é a mão do marinheiro na coxa de Brazza, mas o &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; da foto é a atitude de braços cruzados do outro marinheiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqyqXCx8RDI/AAAAAAAAANA/rS3BqOk0ejk/s1600-h/punctum003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5092632591509242930" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqyqXCx8RDI/AAAAAAAAANA/rS3BqOk0ejk/s400/punctum003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Nadar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;punctum&lt;/em&gt; não é algo reflexivo que ressalte duma análise consciente. Trata-se antes de algo pré-reflexivo, pré-consciente. O punctum, diz-nos ainda Barthes, «é uma mutação viva do meu interesse, uma fulguração. Através de qualquer coisa que a marca, a foto deixa de ser uma qualquer. Essa qualquer coisa fez tilt, provocou em mim um pequeno estremecimento, um satori, a passagem de um vazio.». Isto acontece «quando a retiro do seu «bla-bla» vulgar: «Técnica», «Realidade», «Reportagem», «Arte», etc.: nada a dizer, fechar os olhos, deixar que o pormenor suba sozinho à consciência afectiva».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Livro (a ler por todos os que se interessam por fotografia):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.edicoes70.pt/mall/70/index.php?keywords=c%E2mara+clara&amp;ua_user=70&amp;amp;handler_action=search&amp;offset=0&amp;amp;pesquisa=simples&amp;dbNamesearch=Livros_cart_004_003&amp;amp;amp;field=prodname&amp;amp;type=and"&gt;Roland Barthes - A Câmara Clara, ed. 70, lisboa, 1981&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7957443812047761772-604828917295445473?l=filosofia-fotografia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://filosofia-fotografia.blogspot.com/feeds/604828917295445473/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7957443812047761772&amp;postID=604828917295445473' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7957443812047761772/posts/default/604828917295445473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7957443812047761772/posts/default/604828917295445473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://filosofia-fotografia.blogspot.com/2007/07/punctum_8431.html' title='Punctum'/><author><name>magal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13740918682114687100</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09223204490008646214'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dbe8QfgrYq4/RqypeCx8RAI/AAAAAAAAAMo/a-gzy44JZh8/s72-c/punctum002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry></feed>